Hoje

Vitor Hugo P. Tricerri

 

 

 

 

Hoje estou com uma “terna” sensação de vazio.

De um sereno vácuo, acolhedor.

Uma vontade de sair do lugar, desse tempo.

Uma sensação nova.

 

Num bosque, perto a uma cabana.

Uma pequena fogueira.

Brilhante. Me aquece o coração.

 

Uma ternura no ar, em que presente a incerteza.

Sem medos. Uma gostosa e inquietante incerteza.

Não há lágrimas daquelas noites intermináveis.

 

O vento nos eucaliptos movimenta

minhas lembranças, meu passado.

Trazendo, na face, uma sensação de toque

de tudo, que por mim já passou.

 

Por que vim? Para onde vou?

Por que motivo segue esse caminho?

Por que estas cercas?

Para onde me leva isso tudo?

Toda essa beleza.

Todo esse silêncio.

Toda essa história.

 

Sentado nesta estrada de chão.

Uma pausa.

Cercas brancas... ...árvores no caminho...

...um horizonte... ...muitas curvas que se foram,

...muitas que se aproximam...

...e não terminam.

 

Poucas retas, onde respiro fundo... ...a sombra

....e sigo, na expectativa de novas curvas.

Este é o caminho. Assim é o caminho.

Um caminho de silêncio.

E observação.

 

Escuridão que vem. Escuridão que vai.

Repetição “que se repete”.

Que me encanta, amedronta, estimula.

 

 

 

Vitor Hugo P. Tricerri

Porto Alegre/RS

03/01/09

 

 

 

 

 

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