Jamais me despedirei…

 

 

Oi Pai*,

Às vezes me pergunto, onde estão meus “papatos”?

Falta tudo lá em casa, não encontro nada…

Busco meus papéis na desordem do meu dia a dia…

Mas tu passastes, e organizastes a minha bagunça…

E eu, nem vi…

 

Abro e fecho as portas do carro e recordo…

Daquele dia que me ensinastes a dirigir,

“Tens que ter sempre visão de profundidade”, dizias tu…

Como se tivéssemos que ter 4 olhos atentos ao trânsito…

E eu, nem vi…

 

Por vezes me pergunto Pai,

Onde coloquei meu casaco? Estava atirado na sala…

Mas tu já passou ali, recolheu e guardou no armário…

Dobravas peça por peça de nosso desleixo, quanta desordem…

 

Mas não reclamavas, fazias com Amor…

E quando nos advertia, era com maestria…

E eu vi e entendi…

 

Cadê o cinzeiro que estava aqui??

Lotado de cinzas e baganas amareladas??

Já havia outro limpo no mesmo lugar de sempre…

Ah! E eu nem vi…

 

Às vezes eu passo horas a pedir um instante desses novamente,

Mas agora eu já te dei um pouco de paz, também te dei o meu amor sim,

Porém tantas preocupações com minhas maluquices de outrora…

E eu vi e te compreendi…

 

Eu me pergunto todo o dia, por onde andarás meu grande amigo?

Consertando tantos vasos quebrados como eu…

Vai fazer UM ANO que o silêncio invadiu nossas conversas,

Mas ainda assim, jamais me despedirei de ti…

É só uma viagem, nos veremos de novo…

Sou eu que ainda estou viajando, tu voltastes pra casa…

 

Espera por mim, com aquele sorriso de garoto,

Acredite Pai, continuo com meus passos seguindo os teus,

Organiza a nossa morada…

Pra de novo a gente conversar, conversar e conversar…

Sem que as horas se passem, sem que o dia acabe,

Sem que a noite venha, sem que o inverno chegue…

Sem que as flores murchem, onde a Primavera é eterna…

 

Pai, guarda agora minhas palavras no Armário de Aço**,

Pede ao Vô Vittório para que faça um bem forte,

Pois para abrigar tantas verdades belas…

Tantos anos em meses, tantos dias em horas,

Minutos em segundos, Pai! Não quero ir embora!

 

  

Tierle Maria P. Tricerri

18/03/05

 

 

* Dedicado ao Vô Fernando – a Missa de 1 Ano de Saudade será em 20/03/05 – 18:30hs.

** Armário de Aço – Poetema feito pelo Vô Fernando.